Análise ergonômica do trabalho: o que é e como fazer?

Análise ergonômica do trabalho: o que é e como fazer?

A análise ergonômica do trabalho (AET) é uma ação preventiva que tem como principal objetivo evitar o desenvolvimento de doenças ocupacionais, condição que afeta a saúde e a qualidade de vida do trabalhador, e que também gera diversos prejuízos financeiros para as empresas.

De acordo com dados da Fundacentro, divulgados no site do Governo Federal, em 2019, quase 39 mil profissionais foram afastados das suas atividades por LER (Lesões por Esforços Repetitivos) e Dort (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho).

Além de cumprir a NR-17, a análise ergonômica do trabalho promove mais conforto e segurança para os colaboradores exercerem as suas funções, evitando que desenvolvam as doenças que acabamos de mencionar.

Mas como adotar a AET na sua empresa? Confira, neste artigo, o que é ergonomia, o que é análise ergonômica do trabalho, quais os seus benefícios e como implementá-la.

Por isso, continue a leitura!

O que é ergonomia?

Para falarmos sobre análise ergonômica do trabalho, é preciso começar deixando claro o que é ergonomia.

Ergonomia é a ciência que estuda e analisa as condições de um local de trabalho, no intuito de proporcionar aos profissionais mais segurança para a execução das suas tarefas.

Para isso são considerados aspectos físicos, fisiológicos e psicossociais do ambiente de trabalho, para que sejam identificadas e realizadas as melhorias necessárias, com foco também na qualidade de vida e na saúde do trabalhador dentro e fora da empresa.

Além de promover esse cuidado com o bem-estar dos colaboradores, e evitar que desenvolvam doenças relacionadas às suas funções, a ergonomia ajuda a aumentar a produtividade e os resultados entregues.

O que é análise ergonômica do trabalho?

O que é análise ergonômica do trabalho?

A análise ergonômica do trabalho é uma medida que atende ao determinado pela NR-17, e o seu objetivo é entregar aos profissionais de uma empresa um local de trabalho seguro e funcional, que evite o desencadeamento de doenças relacionadas à execução das suas funções.

A NR-17 estabelece os parâmetros que possibilitam a adequação de um ambiente laboral, considerando as características psicofisiológicas dos trabalhadores. 

O principal propósito é garantir o máximo de conforto possível aos funcionários durante as suas tarefas, assim como segurança e desempenho.

Para alcançar esse resultado, a análise ergonômica do trabalho deve analisar os aspectos apontados na NR-17, que são:

  • levantamento, transporte e descarga de materiais;
  • mobiliário;
  • equipamentos;
  • condições ambientais do posto de trabalho;
  • organização do trabalho.

Desse modo, é possível concluir que a AET aborda as seguintes questões:

  • física: movimentos repetitivos, posturas inadequadas, esforços elevados  e outras condições relacionadas;
  • ambiental: aspectos como calor, vibrações e ruídos;
  • cognitiva: condições que colaboram para o estresse, sobrecarga mental, tomada de decisão, memória e outras similares;
  • organizacional: escala de trabalho (turnos), carga de trabalho, hora extra etc.

Como fazer a análise ergonômica do trabalho?

Como fazer a análise ergonômica do trabalho?

Para a realização da análise ergonômica do trabalho é preciso seguir alguns passos. Mas antes de falarmos sobre eles, é importante deixarmos claro quem é o responsável por essa tarefa dentro de uma empresa.

A NR-17 não especifica qual profissional deve elaborar e assinar a AET. Esse ponto, inclusive, acaba gerando muitas dúvidas entre os gestores.

No entanto, uma nota técnica do Ministério do Trabalho — Secretaria de Inspeção do Trabalho (Nota Técnica nº 287/2016/CGNOR/DSST/SIT), traz o seguinte texto:

  1. A NR-17 não estabelece que o profissional possa realizar a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Esta aparente omissão não é injustificada. 

No Brasil, a profissão de Ergonomista não apresenta uma formação específica de nível superior, ela se dá através de cursos de especialização Latu Sensu, que são frequentados por profissionais de áreas variadas de nível superior. 

Nessa formação são incluídas disciplinas como Psicologia, Anatomia e Fisiologia, Organização do Trabalho, Design e Métodos de Avaliação e Tecnologia da Informação, entre outras. 

Não há definição explícita de qual profissional está habilitado legalmente a executar esse tipo de avaliação, porém, as definições deixam claro que há necessidade de uma formação específica para executar trabalhos nessa área, bem como conhecimento prévio de formação acadêmica de nível superior dos sistemas humanos para poder interpretar e planejar melhorias ergonômicas que protejam o ser humano no seu ambiente de trabalho. 

Para algumas destas profissões, os próprios Conselhos Profissionais determinam algumas regras específicas, que só têm valor para a própria profissão regulamentada (como ocorre no caso do Fisioterapeuta do Trabalho).”

Em outras palavras, isso quer dizer que a empresa que precisa realizar a análise ergonômica do trabalho deve, primeiramente, ter a garantir que o profissional que realizará essa atividade tenha efetivo conhecimento e capacidade para elaboração da AET.

Somado a esse ponto, o responsável pela preparação do documento precisa cumprir criteriosamente com todas as determinações estabelecidas pela NR-17, se responsabilizando pelas informações ali contidas.

Com isso em mente, confira o passo a passo de como fazer a análise ergonômica do trabalho.

Passo a passo da análise ergonômica do trabalho

  1. Identificação da empresa
  2. Objetivo principal da análise ergonômica do trabalho
  3. Perfil dos funcionários 
  4. Organização do local de trabalho
  5. Descrição das funções executadas
  6. Descrição das tarefas realizadas
  7. Fatores ambientais que geram impacto
  8. Apresentação das medidas corretivas

1. Identificação da empresa

O primeiro passo para realizar uma análise ergonômica do trabalho é fazer a identificação da empresa.

Essa etapa consiste em verificar o setor do negócio, seu ramo de atividade, grau de risco que essas geram e outras informações relacionadas.

Pode ser interessante também ter um breve perspectiva de crescimento da empresa, considerando que isso influencia no número de funcionários, estrutura física e outros pontos que tendem a refletir em questões ergonômicas. 

2. Objetivo principal da análise ergonômica do trabalho

O passo seguinte é identificar claramente o principal objetivo da análise ergonômica do trabalho que está sendo realizada.

Por exemplo, é possível analisar se determinada tarefa seria mais bem executada com a adoção de outras ferramentas de trabalho. Ou ainda, se uma nova função que está sendo desempenhada pode ser feita de maneira mais segura e rápida.

Aqui, vale lembrar que é essencial alinhar as orientações e determinações da NR-17 às características do modelo de negócio e ao compromisso da empresa com a saúde e qualidade de vida dos seus trabalhadores.

3. Perfil dos funcionários 

Quanto ao perfil dos funcionários para a elaboração de uma análise ergonômica de trabalho, entende-se faixa etária, nível de experiência na função, posição hierárquica, qualificação profissional, entre outras características.

Neste passo, é preciso considerar também a quantidade de trabalhadores em cada posto de trabalho, como é feita a divisão das tarefas, rotatividade, e questões voltadas estado de saúde dos profissionais, tais como absenteísmo, número de afastamentos médicos e quais são os motivos etc. 

4. Organização do local de trabalho

A organização do local de trabalho a ser analisada e descrita na análise ergonômica do trabalho se refere a questões como turno de trabalho dos colaboradores, complexidade das tarefas, ritmo, grau de esforço necessário para a execução etc. 

Também precisam ser consideradas a cultura organizacional, as formas de remuneração, e as características dos relacionamentos interpessoais.

5. Descrição das funções executadas

A descrição das funções é a explicação sobre cada atividade laboral realizada na empresa, ou pontualmente àquela a qual se direciona a análise ergonômica do trabalho que está sendo realizada.

Quanto a esse detalhamento, é preciso também relatar pontos como quais são os procedimentos necessários para a execução e quais equipamentos, maquinários, ferramentas e itens similares são precisos para isso.

6. Descrição das tarefas realizadas

Já a descrição das tarefas pode ser vista como o alvo principal da análise ergonômica do trabalho. Isso porque é neste passo que serão descritas, de forma minuciosa, como cada função é realizada.

Ou seja, é nesta etapa que serão considerados os movimentos que são realizados pelo trabalhador, sua postura, quanto tempo demora cada uma das suas ações, a força exigida para a execução da tarefa e outros pontos similares.

O responsável pela AET deve se atentar aos equipamentos e maquinários utilizados, como os instrumentos são operados pelos colaboradores, se há levantamento de peso e transporte de itens etc.

Somados a esses pontos, deve-se considerar também fatores sensitivos pertinentes à tarefa, ou seja, audição, visão, tato, olfato e até paladar, dependendo da atividade.

A fim de conseguir uma análise precisa, é essencial conversar diretamente com os funcionários que executam a função no dia a dia.

Eles podem, melhor que ninguém, relatar as principais dificuldades das atividades que realizam, apontar se afetam sua produtividade, conforto, segurança e saúde, e até sugerirem importantes pontos de melhoria.

7. Fatores ambientais que geram impacto

Mas além da execução da atividade laboral propriamente dita, há outros aspectos que podem impactar negativamente o trabalho dos profissionais.

No caso, estamos nos referindo a fatores ambientais como temperatura ambiente, iluminação, ruídos, odores etc.

Esses tópicos precisam ser considerados na análise ergonômica do trabalho porque influenciam na concentração dos funcionários, podendo elevar o nível de estresse, comprometer o seu rendimento e comprometer a sua qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho.

8. Apresentação das medidas corretivas

A análise ergonômica do trabalho se encerra com o apontamento do que pode ser melhorado para promover mais segurança e saúde aos colaboradores.

Para isso, o responsável pela AET considera todos os levantamentos, o apontamento dos profissionais que executam as tarefas, o modelo de negócio e apresenta medidas preventivas e/ou corretivas tais como: mudança no número de pausas, adoção de novos equipamentos e maquinários, mudança no layout, troca de mobiliários etc. 

Quais são os benefícios da análise ergonômica para a empresa?

Quais são os benefícios da análise ergonômica para a empresa?

Como você pôde ver, a análise ergonômica do trabalho é essencial para garantir aos funcionários um local de trabalho muito mais seguro para a execução das suas atividades laborais. 

Além de cumprir o determinado pela NR-17, a AET gera uma série de benefícios, tanto para os profissionais quanto para a empresa. Entre os que mais se destacam estão:

  • aumento da produtividade, visto que as tarefas passam a ser executadas comprometendo o mínimo possível da condição física e mental dos profissionais;
  • promoção de mais qualidade de vida e de cuidado com a saúde dos trabalhadores;
  • diminuição do número de afastamentos médicos decorrentes de doenças ocupacionais;
  • contribuição para a redução do número de acidentes de trabalho;
  • menos gastos para a empresa, tais como os decorrentes de rotatividade dos funcionários, horas extras para suprir ausências, entre outros relacionados;
  • melhora do ambiente de trabalho;
  • diminuição dos níveis de estresse;
  • aumento do engajamento e do comprometimento dos trabalhadores;
  • aumento da credibilidade da empresa perante funcionários e até mesmo de possíveis investidores.

Agora que você tem todas essas informações, que tal outras orientações que também vão ajudar melhorar muito a gestão do seu negócio, especialmente no que se refere aos seus colaboradores? Então não deixe de ler o artigo: “Higiene e segurança do trabalho: entenda a relação”.

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